Family Portrait: Dave and Tony and the Irony of Our Time
Onde a Máscara da Cultura Pop Revela o Significado de Pertencimento.
Na Numa Sala, continuamos a desafiar a fronteira entre a arte e o espetador. Com a exposição “Family Portrait. 2025.” dos artistas Dave e Tony, o diálogo não é apenas encorajado — é forçado, com um sorriso irónico.
Dave e Tony são mestres na apropriação e subversão de ícones pop e da estética kitsch. Nesta exposição, eles desmontam o conceito idealizado de “retrato de família”, usando uma linguagem visual simultaneamente vibrante, familiar e profundamente perturbadora.
Anatomia de um Retrato Dissidente
As imagens que preenchem as paredes e o espaço da galeria não são a família nuclear clássica. São uma agregação de figuras mascaradas, personagens de cartoons macabros e animais de pelúcia transformados em tapetes-troféus irónicos.


A Estética da Máscara: As fotografias hiper-saturadas (como The Common ou Matinee) apresentam figuras humanas a usar máscaras de látex, maquilhagem exagerada ou trajes de criatura. Isto cria uma distância psicológica. Estes não são retratos de identidade, mas de papéis. Quem somos quando usamos a nossa “persona” familiar ou social?
O Kitsch Subvertido: O rato de peluche gigante estendido no chão (Rug Rat) é a peça central da ironia. Ele remete para os tapetes de caça troféu, mas o rato, o “vilão” urbano, é transformado numa figura simultaneamente adorável e sinistra. A morte e a afeição dançam lado a lado.
O Espaço da Instalação: A inclusão de objetos escultóricos no espaço — desde tubos a pingar um líquido viscoso (ready-made perturbador) até pequenas sepulturas com cruzes simples (Dave and Tony) — quebra a bidimensionalidade das fotografias. O espaço transforma-se num palco para uma narrativa fragmentada.
O Diálogo Implícito: A Família é um Disfarce?
A verdadeira beleza e profundidade do trabalho de Dave e Tony residem na sua capacidade de usar o humor e o absurdo para nos fazer perguntas sérias.
Pertencimento e Estranheza:
By depicting figures that seem to belong to a shared universe yet maintain their bizarre individuality, the exhibition questions: What unites us as a “family” or a “society”? Is it the attire, the mask, or the shared experience?
A Fragilidade do Ícone:
Junto a retratos de poodles e gatos glamourosos, encontramos símbolos de morte (Rato & Cola) e pequenos monumentos funerários. Dave e Tony lembram-nos que a fachada perfeita, seja a da cultura pop ou a da família, é sempre transitória e frágil.

“Family Portrait. 2025.” é uma experiência imperdível. É a Numa Sala a acolher uma conversa sobre o lado mais pulp, irónico e surpreendentemente terno do pertencimento contemporâneo.
Convidamo-lo a visitar-nos e a encontrar o seu lugar neste novo e irreverente retrato de família.

